Um dia depois do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, ter recomendado aos jornalistas que deixassem de ser “preguiçosos e desleixados”, os repórteres do jornal “O Estado de S. Paulo” resolveram mostrar serviço. Em uma matéria longa, fundamentada, com chamada em primeira página, nesta quarta-feira (24), demonstram que a campanha da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ao Senado em 2010 foi curiosamente econômica em despesas com transporte aéreo. Dos R$ 8 milhões gastos por Gleisi para se eleger senadora apenas 0,7%, ou R$ 56,9 mil, foram gastos em fretamento de aeronaves. Para se ter uma ideia do quanto esse percentual é baixo, basta dizer que a campanha do senador Roberto Requião, de R$ 3 milhões, gastou R$ 416 mil em transporte aéreo.
A matéria do Estadão coloca a ministra Gleisi Hoffmann no centro da turbulência política iniciada no fim de semana quando a revista Época veio com uma matéria sobre a possibilidade do ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi, ter usado aviões da empreiteira Sanches e Tripoloni (beneficiada por obras do PAC e suspeita de ter faturado com aditivos suspeitos), para se deslocar durante a campanha da mulher em 2010. Os gastos irrisórios em transporte aéreo, registrados por Gleisi, sugerem que ela pode ter feito campanha nas asas de empresários amigos. No rol das irregularidades, ilícitos e crimes contra o erário praticados por políticos brasileiros, o uso de carona aérea pode parecer uma bobagem. O complicador é que o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, acaba de perder o cargo por ter usado aviões de empresários com interesses em seu Ministério. Se o ministro do PMDB cai, qual o argumento para perdoar os vôos de Gleisi?

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