Em meio à derrocada do Atlético no Brasileiro, a turbulência extracampo não dá tréguas ao clube. Um dia após o desligamento do meia Madson por indisciplina, a diretoria rubro-negra anunciou ontem a saída do gerente de futebol Paulo Rink.
Há duas versões para a nova baixa, algumas controvérsias e muita roupa-suja para lavar.
O presidente Marcos Malucelli não poupou o antigo aliado. Ele garantiu que o estopim foi a presença de Paulo Rink em um campeonato de pôquer, em Florianópolis, momentos antes da derrota de domingo para o Avaí (3 a 0).
“Eu achei que ele tinha de estar focado no nosso confronto e não em jogo de baralho”, criticou o dirigente, ontem, ao deixar o CT do Caju.
“O pôquer foi a gota d’água que faltava. Nós já tínhamos essa questão do showball, futebol de areia, essas coisas... Quando ele assumiu o cargo eu disse que deveria se dedicar exclusivamente ao Atlético”, seguiu Malucelli.
A referência seria à semana em que o time ficou concentrado no Rio, em agosto, e Paulo Rink não apareceu nos treinos – teria ficado montando o time de futebol 7 da Alemanha que participaria de um torneio na cidade.
O presidente atleticano afirmou que demitiu o gerente e que ele teria se mostrado arrependido com tais deslizes. “Reconheceu que falhou neste momento, mas isso foi fatal para mim. Precisamos de comprometimento total nesta reta final”, falou.
Na segunda-feira, ao ser questionado sobre o episódio em Santa Catarina, Rink esboçou a intenção de sair do clube. Alegou, pedindo um tempo para refletir, “estar cansado por responder pelas atitudes do departamento de futebol que não eram de sua responsabilidade”.
Ontem à noite, ele enviou um e-mail à reportagem elencando os motivos da saída. Garantiu que não foi dispensado, mas, diferentemente do relatado pelo antigo chefe, pediu demissão.
Na mesma linha, também não optou pela diplomacia. “Tentei mudar algumas situações contratuais desfavoráveis ao Atlético, mas esbarrei em empresários que se recusavam a falar comigo, pois, sabendo que entendo do assunto, preferiram ir por outros caminhos”, afirmou.
“Não estou conseguindo ajudar a minha equipe do jeito que gostaria, afinal tenho limitações funcionais impostas pela atual diretoria. Se sou o gerente de futebol, e tenho de dar explicações para a torcida, também tenho o direito de participar integralmente das decisões tomadas, o que não ocorre”, protestou.
Malucelli foi perguntado sobre a ausência de opinião do ex-funcionário, mas deixou claro que esse não foi o motivo da saída. “É uma questão que se discute internamente. Não é a razão por ele ter saído”, garantiu.
Paulo Rink ainda negou qualquer arrependimento sobre o episódio do carteado – diferentemente da versão oficial.
“Não estava acompanhando a delegação neste fim de semana. Estava com um dirigente de um clube alemão, meu amigo, que queria conhecer nossos jogadores”, disse, acrescentando ter sido convidado de última hora para o evento de pôquer. “Eu não falei que tinha faltado com o compromisso. Não tinha nada pré-marcado. Faria tudo de novo.”
Diante do fogo-cruzado, o time se prepara para as dez rodadas finais do Brasileiro. Malucelli atenua a crise institucional. “Deve ter uma interferência favorável. Fica bem claro que quem não estiver comprometido com o nosso objetivo de sair da zona do rebaixamento estará fora”, disse. “Pode sair sem problema nenhum [quem não está comprometido], inclusive financeiro. Vamos cumprir com as nossas obrigações até dezembro”, avisou o dirigente.
O meia Madson é um exemplo de atleta que receberá salário até o final do ano mesmo sem jogar.