quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Furacão vive dia de problemas em série

Marco Antonio Lima/ Gazeta do Povo / Marcos Malucelli, presidente do Atlético, atende a imprensa na porta de entrada do centro de treinamento. Dirigente avisa: “Quem não está comprometido, pode sair”













Em meio à derrocada do Atlético no Brasileiro, a turbulência extracampo não dá tréguas ao clube. Um dia após o desligamento do meia Madson por indisciplina, a diretoria rubro-negra anunciou ontem a saída do gerente de futebol Paulo Rink.
Há duas versões para a nova baixa, algumas controvérsias e muita roupa-suja para lavar.
O presidente Mar­­cos Malucelli não poupou o antigo aliado. Ele garantiu que o estopim foi a presença de Paulo Rink em um campeonato de pôquer, em Floria­nó­polis, momentos antes da derrota de domingo para o Avaí (3 a 0).
“Eu achei que ele tinha de es­­tar focado no nosso confronto e não em jogo de baralho”, criticou o dirigente, ontem, ao deixar o CT do Caju.
“O pôquer foi a gota d’água que faltava. Nós já tínhamos essa questão do showball, futebol de areia, essas coisas... Quando ele assumiu o cargo eu disse que de­­veria se dedicar exclusivamente ao Atlético”, seguiu Malucelli.
A referência seria à semana em que o time ficou concentrado no Rio, em agosto, e Paulo Rink não apareceu nos treinos – teria ficado montando o time de futebol 7 da Alemanha que participaria de um torneio na cidade.
O presidente atleticano afirmou que demitiu o gerente e que ele teria se mostrado arrependido com tais deslizes. “Reconheceu que falhou neste momento, mas isso foi fatal para mim. Precisamos de comprometimento total nesta reta final”, falou.
Na segunda-feira, ao ser questionado sobre o episódio em San­ta Catarina, Rink esboçou a intenção de sair do clube. Alegou, pe­­dindo um tempo para refletir, “es­­­­­tar cansado por responder pe­­las atitudes do departamento de futebol que não eram de sua responsabilidade”.
Ontem à noite, ele enviou um e-mail à reportagem elencando os motivos da saída. Garantiu que não foi dispensado, mas, diferentemente do relatado pelo antigo chefe, pediu demissão.
Na mesma linha, também não optou pela diplomacia. “Tentei mudar algumas situações contratuais desfavoráveis ao Atlé­ti­co, mas esbarrei em empresários que se recusavam a falar comigo, pois, sabendo que entendo do assunto, preferiram ir por ou­­tros caminhos”, afirmou.
“Não estou conseguindo ajudar a minha equipe do jeito que gostaria, afinal tenho limitações funcionais impostas pela atual diretoria. Se sou o gerente de futebol, e tenho de dar explicações pa­­ra a torcida, também tenho o direito de participar integralmen­­te das decisões tomadas, o que não ocorre”, protestou.
Malucelli foi perguntado so­­bre a ausência de opinião do ex-funcionário, mas deixou claro que esse não foi o motivo da saída. “É uma questão que se discute internamente. Não é a razão por ele ter saído”, garantiu.
Paulo Rink ainda negou qualquer arrependimento sobre o episódio do carteado – diferentemente da versão oficial.
“Não estava acompanhando a delegação neste fim de semana. Estava com um dirigente de um clube alemão, meu amigo, que queria conhecer nossos jogadores”, disse, acrescentando ter sido convidado de última hora para o evento de pôquer. “Eu não falei que tinha faltado com o compromisso. Não tinha nada pré-marcado. Faria tudo de novo.”
Diante do fogo-cruzado, o ti­­me se prepara para as dez rodadas fi­­nais do Brasileiro. Malucelli atenua a crise institucional. “Deve ter uma interferência favorável. Fica bem claro que quem não es­­tiver comprometido com o nosso objetivo de sair da zona do rebaixamento estará fora”, disse. “Po­de sair sem problema ne­­nhum [quem não está comprometido], inclusive financeiro. Vamos cumprir com as nossas obrigações até dezembro”, avisou o dirigente.
O meia Madson é um exemplo de atleta que receberá salário até o final do ano mesmo sem jogar.

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