"Os revolucionários estão tentando entrar pelo Portão Velho no lado oeste. Se conseguirem, o combate passará para a parte de dentro do complexo", afirmou Muftah Ahmad Othman, combatente em Trípoli, ao canal de televisão.
A rede britânica Sky TV também divulgou que fumaça era vista saindo do complexo depois de um ataque aéreo da Otan.
Também era possível ouvir confrontos pesados perto do hotel onde estão jornalistas estrangeiros em Trípoli, segundo uma testemunha da Reuters.
Otan manterá missão
A Otan não quis confirmar nesta manhã se na noite passada manteve um ataque aéreo sobre a residência do líder líbio, como diz a televisão por satélite saudita "Al Arabiya", nem dar mais detalhes sobre o desenrolar atual da missão.
Responsáveis da Otan e da operação na Líbia analisarão nesta terça-feira em entrevista coletiva as operações no país árabe diante da possível queda do regime de Kadafi após o recente avanço dos rebeldes em Trípoli.
O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, afirmou na segunda-feira que o regime de Kadafi está "claramente desmoronando-se", e destacou que o líder líbio "não pode ganhar a batalha" contra seus próprios cidadãos.
"Quanto o mais rápido Kadafi compreender que não pode vencer a batalha contra seu próprio povo, melhor. Assim, os líbios poderão evitar mais derramamento de sangue e sofrimento", afirmou Rasmussen em comunicado.
Desde o início da operação na Líbia, em 31 de março, a Otan realizou 19.877 voos sobre o país, incluindo 7.505 ataques contra alvos militares chave do regime de Trípoli, segundo o último balanço da organização, divulgado na segunda-feira.
O ministro das Relações Exteriores da França, Alain Juppé, advertiu nesta terça-feira que "a vitória não está completa" ainda na Líbia, e considerou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deve permanecer alerta.
"Já disse na segunda-feira que a vitória não está completa. O regime está à beira do afundamento, mas ainda há focos de resistência. É preciso manter a pressão. A Otan deve permanecer alerta para chegar até o fim desta operação", assinalou o chefe da diplomacia francesa à rádio "Europe 1".
O chanceler francês lembrou que os rebeldes controlam "quase a totalidade" do território líbio e "uma grande parte" de Trípoli, onde a população não se levantou em armas para defender o coronel Muammar Kadafi, tal como o líder chegou a convocar.
Juppé afirmou que manteve na segunda-feira uma teleconferência com os demais países aliados, na qual decidiram manter o alerta das forças desdobradas na operação contra as forças do regime líbio.
O ministro francês considerou que "a França teve um papel determinante" na operação, tanto "no plano político como no militar", no qual, junto com os britânicos, forneceram "entre 75% e 80%" dos meios mobilizados pela aliança atlântica.
Ele lembrou que não houve desdobramento terrestre no país norte-africano, com exceção dos instrutores, "que permitiram controlar e formar as tropas" do Comitê Nacional de Transição (CNT) - órgão político dos rebeldes líbios.
"Continuo dizendo que nos mantivemos no marco das resoluções permanentes do Conselho de Segurança (da ONU)", assegurou Juppé, em resposta às críticas de alguns países que consideraram que a Otan ultrapassou o mandato autorizado pelas Nações Unidas.
O ministro mostrou seu desejo de que a operação militar acabe o mais rápido possível para que comece a reconstrução da Líbia. "Nossa preocupação agora é preparar a paz", disse Juppé, que destacou que a França propôs acolher na próxima semana um encontro do grupo de contato para a Líbia.
Itália quer julgamento em Haia
O ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, afirmou que tanto o líder líbio Muammar Kadafi como seus filhos serão capturados em breve e que espera que eles sejam entregues ao Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia para serem julgados por crimes contra a humanidade.
"Espero que o Conselho Nacional de Transição (órgão político dos rebeldes líbios) os entregue ao Tribunal de Haia, mas isso não exclui que outros líderes líbios sejam julgados por tribunais nacionais", destacou Frattini em discurso num programa de rádio italiano.
O presidente do Conselho de Transição Líbio (CNT), Mustafa Abdul Jalil, afirmou, no entanto, que os familiares de Kadafi não serão entregue ao TPI, onde alguns deles são acusados de crimes contra a humanidade.
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