quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Richa economiza para gastar em 2012, diz oposição

Secretário da Fazenda nega que governo esteja deixando de fazer investimentos para ter mais dinheiro em ano eleitoral.

O balanço financeiro dos primeiros seis meses da gestão de Beto Richa (PSDB) acirrou os ânimos entre governo e oposição. Ontem, o líder oposicionista na Assembleia Legislativa, Enio Verri (PT), rebateu a tese de que os tucanos assumiram um estado mergulhado no caos econômico e defendeu que, mesmo com os números mostrando aumento de receita no primeiro semestre, o governo não tem feito investimentos, com o objetivo de gastar recursos em 2012, um ano eleitoral. Em resposta, o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, disse que, apesar do bom comportamento da receita, as decisões econômicas recebidas da gestão anterior deixaram a capacidade de investimentos baixíssima.
De acordo com Verri, a receita corrente líquida do estado aumentou 11,71%, na comparação do primeiro semestre de 2010 com o mesmo período deste ano. Além disso, o resultado primário (diferença entre receitas e despesas) teria crescido 12,03% na mesma comparação. Por outro lado, o governo teria realizado apenas 9% das despesas com investimentos previstas para este ano, enquanto gastos com pessoal, por exemplo, teriam avançado 14,45% na comparação semestral 2010-2011.

Defesa
“O governo errou ao diagnosticar o caos nas finanças. Essa análise comprometeu seriamente os investimentos e paralisou o estado. Em vez do choque de gestão, o governo está dando um choque de paralisia no Paraná”, criticou Verri. “Resguardando dinheiro em caixa, o governo fará as obras aparecerem justamente no ano eleitoral. É a lógica política e eleitoral, não a lógica de trabalhar para resolver os problemas da população”, afirmou.
Questionado sobre a análise apresentada por Verri, Hauly afirmou que o governo vem trabalhando para recuperar as finanças do estado, devido ao exagerado aumento de gastos autorizado no fim do ano passado. “Mas ele [Verri], que apoiava o governo anterior, não escreveu uma linha sobre isso na análise das finanças”, rebateu. “Não escreveu que herdamos R$ 369 milhões de restos a pagar; que milhões foram repassados aos municípios; que eles aumentaram o repasse a outros poderes”, disse.
Segundo Hauly, esse aumento das despesas comprometeu a capacidade de investimentos do estado e deixou o equilíbrio das contas públicas “muito justo”. “De fato, o comportamento da receita está bom. Mas o problema financeiro do estado é grave, sobretudo se pensarmos que há a iminência de uma crise econômica, que, em 2009, foi trágica para os estados”, defendeu. “Estamos trabalhando de forma integrada, firme e resoluta nesse sentido, permitindo aumento salarial aos servidores, reajuste aos professores, efetivação do nosso programa de segurança.”

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